segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Sherlock Holmes

Abri minha temporada de cinema 2010 com um filme fantástico...."elementar, meu caro Watson":
Sherlock Holmes! com direção de Guy Ritchie
O filme é um misto de ação, aventura, romance e comédia, provavelmente todos que assistiram sairam do cinema com a mesma impressão, Guy Ritchie precisava se divorciar da Madonna mais vezes, pois ele se torna ainda melhor.
Segue abaixo texto publicado pela revista Veja SP no dia 06 de janeiro/ 2010, onde descreve perfeitamente Sherlock Holmes na versão atual.
"Sherlock, na recriação de Ritchie, não saca uma lupa a cada oportunidade, não usa boina de caçador nem sobretudo com capa, não diz "elementar, meu caro Watson" e, embora ainda fume cachimbo, prefere um modelo de haste reta à excêntrica haste curva. Essas alterações não são meros retoques cosméticos. São reflexos a que o diretor submete o personagem, e que traz para a superfície todas as suas características menos elogiáveis: o esnobismo, a presunção, a arrogância, o egoísmo, e a sem-cerimônia com que usa as pessoas – a começar por Watson, um médico respeitável e combatente condecorado da segunda guerra britânica no Afeganistão (1878-1880) que, nos livros, ele sempre tratou como um subalterno.
Esse tirano é aqui, interpretado por Robert Downey Jr., um dos poucos atores capazes de conferir traços redentores à petulância e torná-la até adorável. Com cabeleira revolta, energia incontida e entusiasmo infantil pela própria inteligência, esse Sherlock é um personagem ao qual se pode desculpar o jeito pernóstico. Vez ou outra, ele pode até ser colocado no seu devido lugar pelo Dr. Watson vivido com surpreendente vigor por Jude Law.
Ritchie sempre foi um diretor de ação extremamente inventivo. É também, por afinidade ainda que não por origem, um cultuador de uma faceta meio mítica de Londres, a de uma cidade sob cujo verniz de civilização pulsa um submundo tão violento quanto vibrante. Aplicando essas características à Inglaterra vitoriana e imperial, que criava na mesma medida poderio e degradação, ele faz a festa. Londres aparece sinistra e bela na sua sujeira. Sherlock agora é versado em artes marciais, não só porque os chutes, socos e pontapés são um jogo de xadrez que ele planeja lance por lance (e, o mais divertido, executa exatamente como planejou), mas porque o detetive tão frio e racional afinal contém uma legião de demônios sempre prestes a irromper, e precisa desse escape. O filme sugere uma relutância, até uma repugnância, um tanto reveladora na sua atração por Irene (em atuação radiante de Rachel McAdams) – mais ainda quando somada ao empenho com que ele tenta boicotar o noivado de Watson com a governanta Mary Morstan (Kelly Reilly).
Sherlock e Watson necessitam, claro, de um adversário pérfido - como Lorde Blackwood (Mark Strong), que se crê capaz de conjurar forças malignas que porão sob seu controle o Império Britânico".


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